CINEMATECA DO MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO – UMA GUARDIÃ DA HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO
Myrna Silveira Brandão
A importância e o papel da Cinemateca do MAM são amplamente conhecidos, tornando difícil destacar num texto suas realizações e seu enorme legado.
É inegável, no entanto, que desde sua fundação, ela vem construindo uma história que a tornou um centro gerador e multiplicador de cultura, um templo onde parte da nossa herança cultural é guardada e preservada.
Ao longo dos anos, vem se firmando como um espaço de atuação que abrange a preservação em sentido lato e a conservação em sentido estrito de toda manifestação relacionada com a atividade audiovisual nacional e internacional e de várias épocas.
Nesse sentido – e como um centro de patrimônio e memória audiovisual relacionada à expressão por imagens e sons em movimento – tem sido um abrigo para qualquer suporte de registro, não importando a intenção de uso ou valoração sócio cultural.
A Cinemateca tem também toda uma história ligada ao Rio de Janeiro como centro fomentador de cultura através das sessões de filmes brasileiros e do cinema universal, bem como das reuniões, debates, workshops e seminários realizados em suas salas. São atividades que pioneiramente marcaram profundamente a vida cultural e artística da cidade.
Além das sessões realizadas em seu espaço, a Cinemateca também protagonizou inúmeros outros locais de exibição na cidade, entre os quais o famoso e lendário Cine Paissandu, moldando consequentemente pelo cinema, a formação e o imaginário de toda uma geração.
Paralelamente, desenvolveu intensa atuação interinstitucional no âmbito das cinematecas latino-americanas e junto aos cineclubes brasileiros, disponibilizando diversos programas dos mais variados gêneros, épocas e cinematografias.
Na década de 1970, abrigou em seu espaço as reuniões preparatórias que idealizaram a criação do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB), tendo tido importante participação como membro fundador da entidade.
Em 1973 deu início às atividades de restauração de filmes, recuperando o fragmento de ficção mais antigo ainda existente, “Os Óculos do Vovô”, de Francisco Santos. E assim, assistiu ao crescimento de sua documentação e seu arquivo de filmes.
Um convênio firmado em 1979 com a Empresa Brasileira de Filmes possibilitou a constituição de novas reservas técnicas e de um setor de documentação, cuja estrutura de guarda permitiu o recebimento de grandes lotes de materiais fílmicos.
Paralelamente, desenvolveu em 1980 o projeto Filho Pródigo, iniciativa de prospecção e repatriamento de materiais de filmes nacionais considerados perdidos no território brasileiro e localizados em arquivos ao redor do mundo. Entre os títulos mais significativos encontrados e trazidos de volta se destacam “No País das Amazonas” (1922) de Silvino Santos e “A Cidade do Rio de Janeiro” (1924), de Alberto Botelho.
A Cinemateca também tem sido, ao longo dos anos, uma fonte de consulta inestimável para estudiosos, pesquisadores e cinéfilos, um ponto de reunião, de discussão, e de formação de plateia, enfim uma referência nacional e internacional.
Adaptando-se aos novos tempos, além de criar uma unidade de guarda para as novas mídias óticas e digitais, vem realizando desde 2009 a digitalização do acervo fotográfico de filmes brasileiros e duplicação das matrizes fílmicas do acervo.
Ciente assim do desafio imposto pela era digital, a Cinemateca do MAM ao mesmo tempo que preserva o passado e apoia o presente, vislumbra o futuro.
Evidentemente que esse pequeno relato não se esgota nestas linhas. Essas são apenas algumas das inúmeras ações desenvolvidas pela Cinemateca e por todos que fizeram parte da equipe que vem construindo este legado. Impossível também nominá-los aqui, não apenas pelo espaço que seria necessário, mas também pelo risco de eventual omissão.
O importante neste texto é ressaltar a inegável constatação que o objetivo, missão e valores da Cinemateca do MAM fazem parte daqueles que nortearam a criação – pela Academia Brasileira de Cinema – do “Prêmio Preservação”, para reconhecer, valorizar e celebrar ações e entidades que contribuem para a preservação da cinematografia e da memória cultural brasileira.